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Como organizar os livros que queremos ler sem transformar a lista em obrigação

Livros, notebook e caderno usados para organizar uma lista de leituras.
✦ RESUMO DO LEITOR

Aprenda como organizar livros físicos, e-books, audiolivros e séries em planilha, caderno ou aplicativos sem transformar a leitura em obrigação.

Organizar os livros que queremos ler parece simples: anotar o título, o nome do autor e pronto. Na prática, a vida leitora costuma ficar bem mais espalhada.

Um livro está no Kindle. Outro foi comprado no Kobo. Há títulos no Skeelo, no Google Play Livros ou no MEC Livros. Alguns estão na estante, outros guardados em um armário, emprestados ou esperando para ser comprados. Ainda entram nessa conta os audiolivros, as amostras baixadas equelas séries com tantos volumes que já não lembramos exatamente onde paramos.

Quando tudo fica apenas na memória, é fácil esquecer uma obra que queríamos muito ler, comprar um título repetido ou começar uma série sem perceber que ainda há vários volumes pela frente.

Por isso, para mim, organizar livros vai muito além de criar uma lista de leitura. É saber quais livros fazem parte do meu universo de leitura, onde cada um está, por que despertou meu interesse e qual deles combina com o momento atual.

Hoje, o que funciona melhor para mim é uma planilha no Microsoft Excel. Nela, registro autor, título, série, quantidade de volumes, número de páginas, formato, plataforma ou localização física e situação da leitura.

Mas não uso essa lista como uma fila que preciso cumprir. Ela funciona mais como um mapa: quando quero escolher uma nova leitura, consigo enxergar as possibilidades que já tenho sem depender da memória nem abrir aplicativo por aplicativo.

E essa é a ideia deste guia: mostrar como organizar livros físicos, e-books, audiolivros e séries usando planilha, caderno ou aplicativos — sem transformar a TBR em mais uma obrigação.

O que significa organizar os livros que queremos ler?

Organizar os livros que queremos ler é criar um sistema que permita encontrar, escolher e acompanhar nossas leituras.

Esse sistema pode ser uma planilha, um caderno, um aplicativo ou uma combinação dessas ferramentas. O formato importa menos do que as perguntas que ele consegue responder:

  • Qual é o livro e quem escreveu?
  • Ele faz parte de uma série?
  • Já tenho esse título ou ainda quero comprar?
  • Se já tenho, onde ele está?
  • É físico, e-book ou audiolivro?
  • Está disponível em qual plataforma?
  • Já li, comecei, abandonei ou ainda não iniciei?
  • Por que tive vontade de lê-lo?
  • Ele combina com o que estou com vontade de ler agora?

Uma boa organização não existe apenas para registrar livros. Ela transforma um acervo espalhado em possibilidades que conseguimos consultar.

Por que organizar uma lista de livros para ler?

Hoje, um mesmo leitor pode ter livros em vários lugares: estantes e armários, lojas de e-books, serviços de assinatura, aplicativos de audiolivros e bibliotecas digitais.

É justamente essa fragmentação que torna um catálogo central útil.

Eu posso ter um e-book comprado no Kindle, outro no Kobo, um audiolivro em determinada plataforma e um livro físico escondido no fundo de uma estante. Sem algum tipo de registro, a memória precisa fazer um trabalho que uma simples busca poderia resolver em segundos.

A organização ajuda principalmente a:

  • saber quais livros já tenho;
  • localizar um título físico ou digital;
  • evitar compras repetidas;
  • acompanhar séries e sagas;
  • diferenciar livros comprados dos disponíveis por assinatura;
  • lembrar por que determinado título despertou interesse;
  • encontrar opções adequadas ao momento;
  • visualizar o que já li sem transformar isso em competição.

O objetivo não é controlar cada página lida. É facilitar o encontro com a próxima história.

A lista de leitura não precisa virar obrigação

Uma lista de livros para ler também costuma ser chamada de TBR, sigla de to be read, expressão usada para os livros que pretendemos ou temos interesse em ler.

Só que “lista para ler” pode soar como uma fila esperando para ser concluída — e ela não precisa funcionar assim.

Nem todo livro anotado precisa ser lido. Nossos interesses mudam, novas histórias aparecem e um título que parecia perfeito há seis meses pode simplesmente não combinar mais com o que queremos agora.

Por isso, prefiro pensar na minha organização como um acervo de possibilidades.

Alguns livros podem ser prioridade. Outros ficam esperando o momento certo. E alguns talvez nunca sejam lidos.

Se uma lista numerada de 1 a 300 parece uma enorme tarefa pendente, outra possibilidade é separar os títulos por interesse:

  • Quero muito: livros que despertam vontade imediata;
  • Tenho curiosidade: parecem interessantes, mas não são prioridade;
  • Para o momento certo: dependem de determinado humor, época ou disponibilidade;
  • Talvez um dia: ainda despertam algum interesse, mas podem esperar.

Assim, todos os livros deixam de parecer igualmente urgentes.

Quais informações vale a pena registrar?

Não existe uma ficha obrigatória. O melhor sistema é aquele que guarda as informações que realmente serão usadas para encontrar ou escolher uma leitura.

Informação Como ela ajuda
Autor ou autora Facilita buscas e permite visualizar outras obras da mesma pessoa
Título Identifica o livro
Série ou saga Mostra se o livro pertence a uma sequência
Volume Ajuda a manter a ordem de leitura
Total de volumes Dá uma noção do tamanho da série
Páginas ou duração Ajuda a escolher de acordo com o tempo disponível
Formato Diferencia livro físico, e-book e audiolivro
Plataforma ou localização Mostra onde encontrar o livro
Situação Indica se quero comprar, já tenho, comecei, li, abandonei ou emprestei
Gênero ou subgênero Ajuda a filtrar pelo tipo de história
Nível de interesse Diferencia prioridade de simples curiosidade
Motivo do interesse Registra quem indicou ou o que chamou atenção
Observações Guarda informações extras que sejam úteis

Não é necessário começar preenchendo tudo. Autor, título, série, localização e situação já formam uma base bastante funcional.

Outros campos podem aparecer conforme você percebe que sente falta deles.

Como organizar livros em uma planilha

A planilha é a forma que mais funciona para mim. Talvez tenha também um pouco do conforto de ser 30+ e gostar de resolver certas coisas no bom e velho Excel.

Brincadeiras à parte, a grande vantagem é conseguir reunir livros físicos e digitais em um só lugar e depois pesquisar, ordenar e filtrar as informações.

Você pode usar Excel, Google Planilhas ou outro programa semelhante. A ideia não é copiar exatamente o meu modelo, mas adaptar a estrutura ao que você realmente precisa consultar.

Uma planilha básica pode ter estas colunas:

✦ EXEMPLO DE ESTRUTURA DE PLANILHA
Livro & Autor Série & Vol. Formato & Local Situação Interesse
A Sociedade do Anel
J.R.R. Tolkien • 576 págs.
O Senhor dos Anéis
Vol. 1 de 3
E-book
Kindle
Não lido Quero muito
A Biblioteca da Meia-Noite
Matt Haig • 308 págs.
Livro único Físico
Estante sala
Lido Curiosidade
O Caminho dos Reis
Brandon Sanderson • 45h
Os Relatos de Roshar
Vol. 1 de 10
Audiolivro
Skeelo
Em andamento Prioridade

Como deixar a planilha realmente útil

Crie filtros no cabeçalho. Assim, você consegue visualizar apenas livros de determinada plataforma, gênero, série ou tamanho.

Diferencie posse de acesso. Um e-book comprado e um título disponível temporariamente em uma assinatura não são exatamente a mesma coisa. Se essa diferença for útil para você, registre “comprado”, “assinatura”, “emprestado” ou “quero comprar”.

Seja específica na localização física. “Tenho” não ajuda muito quando você não sabe onde colocou o livro. “Estante da sala”, “armário do quarto” ou “caixa 2” resolvem melhor o problema.

Registre série e volume. Isso ajuda a visualizar a sequência e reduz o risco de pegar a continuação errada.

Não transforme a planilha em outro hobby obrigatório. Se você criou uma coluna que nunca consulta, talvez não precise dela.

A planilha deve economizar trabalho, não criar mais trabalho.

Como organizar os livros em um caderno

Para quem gosta de papelaria e prefere visualizar as leituras no papel, um caderno também pode funcionar muito bem.

A vantagem está na liberdade. Não é preciso pensar em células, filtros ou fórmulas: você pode criar páginas de acordo com o tipo de informação que deseja guardar.

Algumas possibilidades são:

  • índice geral;
  • livros que já tenho;
  • livros que quero comprar;
  • livros disponíveis em assinaturas;
  • séries em andamento;
  • próximos volumes;
  • livros emprestados;
  • listas por gênero ou autor;
  • página “quero muito ler”;
  • página “para o momento certo”;
  • livros curtos para períodos corridos;
  • livros longos para quando houver mais tempo.

Uma ficha simples pode registrar:

Autor: Título: Série e volume: Formato: Onde está: Situação: Por que quero ler:

Para informações que mudam com frequência, como “não iniciado”, “lendo” e “lido”, lápis, post-its ou símbolos fáceis de atualizar podem funcionar melhor do que preencher tudo de forma permanente.

Adesivos, carimbos e washi tapes podem tornar o processo mais gostoso para quem gosta desse lado da papelaria, mas são completamente opcionais. O sistema precisa continuar prático depois que a empolgação inicial passar.

Cadernos de Leitura e Planners Recomendados

Para quem deseja organizar as leituras no papel com um suporte já estruturado, estes são os principais planners e leitores registrados em nossa curadoria:

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E os aplicativos para organizar livros?

Aplicativos são interessantes para quem prefere consultar a lista pelo celular ou não quer montar um sistema do zero.

O Skoob, por exemplo, possui estantes e diferentes status de leitura, como “Quero Ler”, “Lendo”, “Lido”, “Relendo” e “Abandonei”. Também permite registrar outras informações relacionadas ao acervo e à vida de leitura.

Há ainda plataformas internacionais, aplicativos voltados ao acompanhamento de leituras e ferramentas mais abertas, como o Notion, nas quais é possível montar um banco de dados personalizado.

Os próprios serviços onde lemos também oferecem algum nível de organização. Google Play Livros, Kindle, Kobo, Skeelo e outras plataformas mantêm bibliotecas, estantes, coleções ou listas próprias.

O problema é que cada serviço enxerga principalmente o que existe dentro dele.

A biblioteca digital não sabe automaticamente que aquele mesmo título está na sua estante física. O aplicativo de audiolivros não conhece o e-book comprado em outra loja. É aí que uma planilha ou outro catálogo central pode continuar fazendo sentido.

Planilha, caderno ou aplicativo: qual escolher?

Não existe uma ferramenta universalmente melhor. A escolha depende do tamanho e da dispersão do seu acervo, além do tipo de registro que você gosta de fazer.

Formato Pode funcionar melhor para quem… Principal cuidado
Planilha tem muitos livros e gosta de pesquisar, ordenar e filtrar não criar colunas demais
Caderno gosta de escrever à mão e quer uma experiência mais visual deixar espaço para a lista crescer
Aplicativo quer praticidade no celular e recursos prontos verificar se ele contempla todo o acervo
Sistema híbrido quer catálogo e registro pessoal em ferramentas diferentes não duplicar o mesmo trabalho

Se você tem poucos livros, uma página no caderno pode resolver. Se os títulos estão espalhados por várias plataformas e estantes, a planilha tende a facilitar bastante.

Já quem gosta de registrar sentimentos, trechos, personagens e memórias da leitura pode preferir usar um book journal junto do catálogo.

Como combinar planilha, aplicativo e book journal sem repetir tudo

Usar mais de uma ferramenta não significa registrar a mesma informação três vezes.

O segredo é dar uma função para cada uma.

Por exemplo:

  • planilha: catálogo, localização, séries, páginas e situação;
  • aplicativo: acompanhamento da leitura atual e interação com outros leitores;
  • caderno ou book journal: impressões, personagens, trechos e memórias;
  • lista da loja: livros que você ainda está considerando comprar.

O catálogo responde: “Quais livros tenho e onde estão?”

O journal responde: “Como foi a minha experiência com essa leitura?”

São registros relacionados, mas com funções diferentes.

Como organizar séries e sagas sem se perder

Séries merecem um pouco mais de atenção porque saber apenas o nome da sequência nem sempre é suficiente.

Pode ser útil registrar:

  • nome da série;
  • número do volume;
  • quantos volumes já foram publicados;
  • total previsto, quando essa informação estiver confirmada;
  • se a série está concluída ou em andamento;
  • quais volumes você possui;
  • quais já leu;
  • contos, novelas ou derivados;
  • ordem de leitura que decidiu seguir.

Uma distinção especialmente útil é quantidade publicada x quantidade prevista. Uma série pode ter três volumes disponíveis hoje, mas ter sido planejada para cinco.

Como essas informações podem mudar, não é necessário transformar sua planilha em um serviço de notícias editoriais. Categorias simples como “concluída”, “em publicação” e “sem previsão confirmada” já podem resolver.

Como usar a lista para escolher a próxima leitura

É aqui que a organização deixa de ser apenas arquivo e começa a ser realmente útil.

Em vez de escolher sempre o primeiro título da lista, você pode consultar os livros por:

  • humor do momento;
  • gênero ou atmosfera;
  • tempo disponível;
  • número de páginas ou duração do áudio;
  • vontade de começar ou continuar uma série;
  • leitura mais leve ou mais exigente;
  • formato;
  • plataforma disponível;
  • prioridade pessoal.

Às vezes, a melhor próxima leitura não é o livro que está há mais tempo esperando. É aquele que combina com a vontade que você tem naquele momento.

E tudo bem.

Como começar sem organizar centenas de livros de uma vez

Se o acervo já está grande, tentar catalogar tudo em um único dia provavelmente transformará uma ideia útil em uma tarefa cansativa.

Um começo mais simples é:

  1. escolha uma ferramenta principal;
  2. crie apenas os campos essenciais;
  3. registre primeiro os livros físicos que já possui;
  4. depois, percorra uma plataforma digital por vez;
  5. diferencie livros comprados, assinaturas e desejos;
  6. acrescente série e volume quando necessário;
  7. inclua outros campos somente quando perceber que serão úteis;
  8. passe a atualizar o catálogo conforme os livros entram, saem ou mudam de lugar.

Você não precisa terminar a organização para começar a se beneficiar dela.

O que fazer quando a lista de livros fica grande demais?

Uma lista extensa não é necessariamente um problema. Ela só precisa continuar legível e útil.

De tempos em tempos, revise títulos que já não despertam interesse, edições duplicadas, séries que você decidiu abandonar, livros que já foram comprados e localizações que mudaram.

Também vale conferir títulos disponíveis por assinatura, porque os catálogos desses serviços podem mudar.

Excluir um livro da TBR não significa que você falhou em alguma coisa. Significa apenas que seu interesse mudou.

E nem tudo precisa ser apagado. A categoria “talvez um dia” pode guardarquelas possibilidades que você ainda não quer abandonar, sem deixá-las competir com o que realmente está com vontade de ler.

A melhor organização é aquela que você realmente consulta

Uma planilha impecável, um caderno lindo ou um aplicativo cheio de recursos não resolvem muita coisa se o sistema for tão complicado que você desiste de atualizá-lo depois da primeira semana.

Para mim, o Excel funciona porque reúne meus livros físicos e digitais e me permite localizar rapidamente autor, série, quantidade de volumes, páginas, plataforma, estante e situação da leitura.

Para outra pessoa, uma lista curta no caderno pode ser suficiente.

O teste mais simples é verificar se a sua organização consegue responder rapidamente:

“Eu já tenho este livro?”

“Onde ele está?”

“Este é o primeiro volume?”

“O que eu tenho vontade de ler agora?”

Se consegue, ela já está cumprindo seu papel.

No fim, organizar livros não é colocar todas as leituras em uma fila. É criar um mapa para circular pelo próprio universo de histórias com mais liberdade — sem perder pelo caminho aqueles livros que um dia despertaram nossa curiosidade.

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